Transportes

Passageiros reclamam dos serviços prestados pela empresa Nilopolitana

NILOPOLITANA
Foto: Reprodução da Internet
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Uma das mais tradicionais empresas de ônibus da Baixada Fluminense, a Cavalcanti & Cia., que usa o nome fantasia Nilopolitana, está deixando os seus usuários revoltados. Nos últimos meses aumentaram as reclamações contra os serviços prestados pela companhia.

Responsável pela operação de linhas intermunicipais que fazem a ligação entre os municípios de Mesquita, São João de Meriti, Duque de Caxias, Queimados, Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Nilópolis, sendo que nestas duas últimas cidades a empresa também é a responsável por operar linhas municipais, a Nilopolitana vem sofrendo com queixas que praticamente atingem todas as linhas.

As queixas vão desde as condições dos veículos, passando por intervalos longos entre os ônibus, até mesmo ao cancelamento de viagens.

Ônibus antigos

Com poucos ônibus novos e a maioria deles sem ar condicionado, as reclamações contra as condições dos veículos também aumentaram. Apenas na linha 420T (Barra da Tijuca x Nilópolis) a empresa é obrigada a usar ônibus com ar condicionado, por conta disso, a linha foi beneficiada com a última compra de veículos 0km. Foram 12 ônibus que chegaram à empresa em agosto de 2017. De lá para cá nenhuma aquisição foi feita.

O que salva a empresa de estar sofrendo mais por causa da frota envelhecida é a competência dos seus mecânicos. A empresa tem uma das melhores equipes da Baixada Fluminense e quiçá do Estado. “Se não é o pessoal da manutenção ia ter muito ônibus quebrando por ai, o pessoal faz um trabalho maravilhoso”, conta um funcionário que não quis se identificar por medo de represálias.

Horários irregulares e viagens canceladas

Para alguns passageiros a Nilopolitana é a única opção. É o caso da vendedora Luciana que conta apenas com os ônibus da linha 434L para poder trabalhar no bairro de Sulacap, no Rio de Janeiro. Morando em Nova Cidade (Nilópolis) ela relata que não há como confiar nos horários dos ônibus e ainda diz que muitas viagens sequer acontecem:

“Comecei a trabalhar em Sulacap há um ano e no início me programava para sempre pegar o ônibus que passava na porta da minha casa 9h50. Tudo ia bem com um atrasinho ou outro, mas nada comparado ao que vivo hoje. Virou uma bagunça total, ou o ônibus passa antes ou passa muito depois. Não dá pra confiar. Pior ainda na volta que as vezes falta ônibus e o despachante cancela a viagem”, relata.

O mesmo problema vive o designer Vinicius Santos. Morador de Vilar dos Teles, em São João de Meriti, ele usa diariamente os ônibus da linha 429 para se deslocar até o seu trabalho no Centro de Mesquita. Ele conta que a empresa costuma colocar ônibus da linha indo apenas até Nilópolis, prejudicando quem precisa fazer o itinerário completo da linha Duque de Caxias x Queimados. “Estou no ponto e quando vejo o ônibus amarelo já fico feliz, mesmo com a demora, ainda é a opção mais rápida para mim, mas quando vejo no letreiro está escrito Nilópolis. Isso acontece com muita frequência e as vezes demora mais uns 20 minutos até vir o ônibus que me leva até Mesquita. Absurdo isso, a empresa não pode simplesmente fazer o que quer. Se a linha é até Queimados, que se cumpra o itinerário”,  reclama.

Outro passageiro, que preferiu não se identificar, é usuário da linha 420T e relata que a empresa tem cancelado viagens na linha:

“Trabalho no horário noturno e os ônibus da 420T não estão saindo no horário correto da Rodoviária de Nilópolis. O certo é sair um 20:30, mas é comum chegarem três ônibus vindo da Barra e todos eles irem direto para a garagem. Enquanto isso eu e outros passageiros contamos com a boa vontade da empresa e por isso acabamos chegando atrasados nos nossos compromissos”, diz ele que alega para não perder os compromissos acaba gastando R$ 60 reais viajando em carros de aplicativos como o Uber e 99.

Stress

Como os usuários não conseguem reclamar diretamente com a diretoria da empresa, são os motoristas, despachantes e fiscais que sofrem diariamente com as queixas, o que acaba prejudicando o tratamento dispensado por eles aos passageiros. Segundo o relato de uma moradora de Nilópolis que trabalha em Comendador Soares e precisa usar diariamente os ônibus da linha 428, por conta das condições ruins os motoristas acabam sendo grosseiros com os passageiros:

“Não estou aqui para culpar ninguém e sei muito bem do stress que é trabalhar dirigindo, mas os motoristas da Nilopolitana ainda tem que conviver com passageiros reclamando dos atrasos e com os próprios ônibus que são muito ruins, tudo isso somado faz com que o profissional acabe sendo rude com os passageiros. São casos e casos, mas com certeza a maioria dos motoristas são boas pessoas, mas qualquer um pira em trabalhar em condições ruins”, disse Vanessa Saldanha.

A situação relatada por Vanessa aconteceu com nossa outra leitora. Danielle Jesus que mora em Edson Passos, Mesquita, conta que numa sexta-feira de manhã, na ponto em frente à estação do bairro, onde passageiros aguardavam o ônibus da linha 429, o motorista exigia que as pessoas entrassem no ônibus com mais rapidez:

“O ônibus estava atrasado, já faziam mais de 30 minutos que não passava um 429 e para muitos passageiros não havia outra opção que não essa linha. Mesmo com o ponto lotado e até mesmo com duas pessoas idosas o motoristas ameaçou arrancar com o ônibus mesmo com as pessoas embarcando e iria seguir viagem e deixar os passageiros no ponto”, contou a leitora.

Redução da demanda

João Vicente é especialista é especialista em transportes e para ele os problemas relatados pelos leitores podem estar relacionados com a redução da demanda de passageiros. Ele explica que o setor está passando por uma crise jamais vista antes na história do Brasil:

“Com a chegada dos aplicativos de transportes, como o Uber e o 99, além da facilidade na aquisição de veículos, a falta de fiscalização dos serviços “piratas” e ainda, a falta de regulamentação dos serviços de mototáxis e vans, as empresas de ônibus tiveram uma queda brusca nas suas receitas. A Nilopolitana também acabou absorvendo linhas de outras empresas, como as que ligam Nilópolis à Central e a Barra da Tijuca. São linhas que a empresa não estava acostumada e precisou-se fazer um grande investimento na compra de ônibus e na contratação de profissionais. Tudo isso tem um custo e hoje a realidade é bem diferente, a empresa com certeza está buscando se readequar e isso acaba penalizando o usuário. Se em uma linha haviam 15 ônibus em 2000, hoje a linha deve ter no máximo 10. Tudo feito para compensar a redução da demanda”, explicou.

Solução

O especialista explica que a solução, não apenas para a Nilopolitana, mas para todo o setor é se reinventar e buscar diálogo junto ao poder concedente para juntos melhorarem o cenário. Ele sugere que haja uma reorganização das linhas e que a regulamentação dos serviços alternativos de transportes seja o feito com rapidez:

“O setor está quebrando e se faz necessário que haja um consenso em busca de uma solução. O poder concedente deve entender que não é apenas substituindo uma empresa que vai consertar o problema e sim buscar entender o motivo daquele problema existir. A Nilopolitana hoje tem linhas municipais que concorrem com os aplicativos e mototáxis. É preciso pegar esses itinerários e fazê-los rentáveis de modo que mesmo com a concorrência a empresa consiga se manter”, descreve.

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